Olhares que falam mais que mil poemas

30 04 2007

eyes.jpg

  «Existe mais poesia no olhar de quem ama do que em mil poemas que se escrevam… Mas, nem por isso devemos deixar de escrever mil poemas para mostrar ao mundo o que esse olhar procura dizer…»

Anónimo

Advertisements




Uma bênção… só pode ser…

30 04 2007

friends.jpg

 

Hoje, dei por mim a lembrar-me de amigos que já não vejo há imenso tempo. Amigos de sempre. Amigos mais recentes. Amigos… simplesmente. E senti uma felicidade enorme em revê-los, ainda que de uma forma “virtual”. Ainda que por instantes. Com essa lembrança veio uma energia poderosa. Senti, ao mesmo tempo, que Deus também teve mão nisso. Pois, a amizade é uma bênção para nos fazer feliz. Agradeço, por isso, as muitas bênçãos que recebi ao longo destes anos. Aos meus amigos, mesmo aqueles que não vejo todos os dias, mando um abraço apertado do fundo do coração e o meu muito obrigado por, simplesmente, existirem e estarem todo este tempo ao meu lado. É uma bênção… só pode ser…





Cânticos tristes

27 04 2007

gaiola.jpg

Hoje tive um sonho. Um episódio sem pés nem cabeça — Se bem que também não sei se os sonhos têm de ter nexo.
A propósito disso, recordo-me, vagamente, de ter lido, algures, que os sonhos são como que uma espécie de ponte entre aquilo que temos e aquilo que desejamos de forma inconsciente. Não sei se será isso, mas enfim… adiante…
Sonhava eu com um belo pássaro. O seu canto, quase melancólico, ecoava por onde quer que eu estivesse.
Solidário com a sua tristeza resolvi abrir-lhe a porta da gaiola. Foi estranho. Apesar de toda a liberdade do mundo, o pequeno ser colorido esvoaçou alguns metros em plena liberdade para depois voltar ao seu cárcere e prosseguir com o seu cântico triste.
Sempre que me interrogo, agora, sobre o que se terá passado e o que terá levado o pássaro a voltar à gaiola parece que encontro sempre uma diferente moral da história. Como se a história fosse reescrita a cada momento que me recordo do sonho.





Aquilo que amamos é para sempre

24 04 2007

tulipa.jpg

Agarramo-nos, quase que por instinto, àquilo que gostamos. Por isso, dificilmente, perdemos essas pessoas, esses momentos. Essas lembranças, apesar de preciosas, ninguém as pode roubar. Também por isso, não precisamos de um cofre, para as trancar a “sete chaves”, mas de um coração enorme para as guardar e partilhar com o aqueles que nos rodeiam. Seja com lágrimas – por terem partido da nossa vista -, seja com sorrisos – pela felicidade do reecontro ou da lembrança. Tudo isso porque aquilo que amamos é, de facto, para sempre.





O tempo das palavras…

21 04 2007

palavras.jpg

Quantas vezes nos apeteceu dizer alguma coisa, uma palavra? Mas, por qualquer motivo, não o fizemos. E por mais que tentemos criar ou recriar uma nova oportunidade, aquela palavra nunca terá o mesmo valor, a mesma importância, o mesmo significado. Como se cada palavra fosse feita, em especial, para cada momento das nossas vidas. Vejo as palavras como peças de um puzzle que se encaixam, uma após outra, com uma determinada sequência, no espaço e no tempo. Por isso, considero que existe o tempo das palavras. Mas há também os momentos em que elas nem precisam ser ditas para que existam. Como se, por magia, comunicássemos numa outra dimensão, para além da fala e da escrita.





Inscrição sobre as ondas..

15 04 2007

ondas1.jpg

Mal fora iniciada a secreta viagem

um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,

supondo ser a luz que deus me segredou.

David Mourão-Ferreira, in “A Secreta Viagem”





Turbilhão de sentimentos…

13 04 2007

conchas01.jpg

Sentado nos degraus do meu quintal oiço o mar, revolto, enrolando o calhau, num vai e vem que se ouve a quilómetros de distância. Dou por mim, pensativo, contemplando o infinito, o nada, embalado por esta sinfonia, que é bem conhecida por aqueles que vivem numa ilha. Por momentos – mesmo que breves – procuro apenas esvaziar a consciência de um qualquer pensamento, procuro pensar no vazio. Mas, tal como o movimento das pedras do calhau, arrastadas pelo mar, as ideias e os sentimentos arrastam-me de um lado para outro. É um turbilhão de sentimentos, de ideias, por vezes confusos, arrastados pela correnteza. Só param quando o mar sossegar, quando ele adormecer, traquilo. Tal como numa praia, as conchas ficam depositadas na areia, logo que a maré fica vazia, o mesmo acontece com os sentimentos, com as ideias. Porém, tal como as pequenas conchas, que parecem soldadas definitivamente ao chão de areia, logo que a maré volta a encher, “soltam amarras” pelo mar adentro, arrastadas para um novo turbilhão. É surpreendente esta dinâmica das nossas vidas. Nada é imutável, duradouro. Mesmo aquelas coisas que pensávamos ser para sempre estão sujeitas a este turbilhão. E lá vamos nós arrastados, embalados pelas ondas, apesar de tantas vezes tentarmos agarrarmo-nos à areia com toda a força que temos. Mas, a areia esvai-se entre os dedos. E nós, impotentes perante a correnteza, somos obrigados, tal como as conchas, a iniciar uma nova viagem, até que a maré volte a baixar, e o mar volte a adormecer…