Cânticos tristes

27 04 2007

gaiola.jpg

Hoje tive um sonho. Um episódio sem pés nem cabeça — Se bem que também não sei se os sonhos têm de ter nexo.
A propósito disso, recordo-me, vagamente, de ter lido, algures, que os sonhos são como que uma espécie de ponte entre aquilo que temos e aquilo que desejamos de forma inconsciente. Não sei se será isso, mas enfim… adiante…
Sonhava eu com um belo pássaro. O seu canto, quase melancólico, ecoava por onde quer que eu estivesse.
Solidário com a sua tristeza resolvi abrir-lhe a porta da gaiola. Foi estranho. Apesar de toda a liberdade do mundo, o pequeno ser colorido esvoaçou alguns metros em plena liberdade para depois voltar ao seu cárcere e prosseguir com o seu cântico triste.
Sempre que me interrogo, agora, sobre o que se terá passado e o que terá levado o pássaro a voltar à gaiola parece que encontro sempre uma diferente moral da história. Como se a história fosse reescrita a cada momento que me recordo do sonho.


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3 05 2007
anete

Cá para mim, isso expressa a tua vontade de liberdade e o receio do que ela possa implicar. O bem-estar que aquilo que se conhece nos transmite, por vezes, é mais forte do que o desejo de voar para onde os nossos desejos nos tentam encaminhar.
Não deixa, contudo, de permanecer na alma o triste cântico do desejo não consumado!
O tempo o dirá, mas sei que o pássaro que há em ti, um dia há-de perder o medo de voar. Aí, sim, cantará com alegria.
Até lá, tens aqui alguém a quem poderás cantar tristemente.
Um beijo

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