Bebedeiras de azul

5 05 2007

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Uma caminhada junto ao mar. Respiro, profundamente, o aroma de maresia, misturado com a fragrância das flores e do cheiro a pedra aquecida ao sol. Ao fundo, oiço o vibrar dos motores de um navio areeiro que se desloca ao largo. Cruzo-me com montes de gente que não conheço. Olho-os apenas, como se os quisesse cumprimentar. Afinal, o sol está radioso e isso causa em nós uma sensação muito agradável que nos apetece partilhar, exteriorizar. O sol aquece-nos o rosto e o calor parece chegar à alma. Mais à frente, vejo uma esplanada, onde vários turistas se espreguiçam, entre cada gole de chá. Apresso o passo. Esqueço-me, completamente, de tudo, como se, agora, fosse só eu e a calçada. Embriagado por este pulsar de sensações que o mar nos desperta, lembro-me de António Gedeão e do seu poema: “Pedra Filosofal”, no momento em que ele diz que «como aquelas aves que gritam… em bebedeiras de azul…». Foi um pouco como que uma “bebedeira de azul” esta minha caminhada junto ao mar.


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