Quanto mais conheço os homens…

28 08 2007

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Este fim-de-semana, um colega, já com alguns anos, insistia em repetir, vezes sem conta, a frase: “Quanto mais conheço os homens, mais adoro os cães”. Sempre que tinha oportunidade, dizi-a. Pela forma insistente com que repetia a frase, facilmente se percebeu que deveria ter tido uma grande desilusão. Tentei saber o que se tinha passado. Mas foi em vão. Após a minha tentativa, ele ainda acrescentou uma outra frase: “São as pessoas que amamos muito que, quando nos decepcionam, mais nos magoam”. Por outras palavras, quanto mais próximo estivermos daqueles que nos decepcionam, maior se torna a decepção. Fiquei a matutar sobre este pensamento. A verdade é que a história deste meu colega, com largos anos, só vem provar que, de facto, os homens velhos costumam ser sábios, mas não o suficiente para conseguirem evitar que aqueles que ama os decepcionem. Há coisas que só a razão humana – se é que isto é uma questão racional – pode explicar.





Uma vela ao vento

23 08 2007

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Hoje acendi uma vela. Não sei bem porquê. Não estava a pensar em nada quando a acendi. Não estava a pedir nada. Não queria nada. Acendi-a por acender. Depois, reclinei-me a contemplar a sua chama. Como se pudesse ver algo mais para além do fogo. A janela aberta fazia com que a chama baloiçasse ao vento. E dei por mim a contemplar a vela ao vento. Uma vela ao vento. Dei por mim apreciando a chama que dançava à minha frente. Trémula, como se tivesse medo, mas reluzente, transbordando esperança. Dizem que o acto de acender uma vela é sinal de esperança, de fé, de amor. Se calhar, inconscientemente, foi isso que me levou a acender uma vela hoje e deixá-la, assim, ao vento.





Espírito e silêncio…

11 08 2007

Oiço, lá longe, o vento. E mais nada. O resto, não se ouve, não se sente, não se cheira, não existe, ou é como se não existisse. É o silêncio que tomou conta do nosso espírito, da nossa alma. É a paz do espírito conduzido ao sabor do vento. Como as folhas quando caem anunciando o Outono.





Saudade

1 08 2007

A distância, seja ela física ou de outra natureza, leva-nos a valorizar aquilo que queremos ter por perto. Quando as perdemos, serve-nos, apenas, o consolo da memória, enquanto ainda estamos agarrados àquilo que ficou e pedir para que o tempo não nos roube tudo aquilo que guardamos.