Adeus… um poema triste e belo…

21 11 2007

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!

E eu acreditava.

Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.

Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.

Era no tempo em que os meus olhoseram os tais peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco, mas é verdade:uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor…

já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certezade que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nomeno silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.

Dentro de tinão há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus…

Eugénio de Andrade


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2 responses

27 11 2007
maria

.. um belíssimo poema que, embora transmita explicitamente sentimentos de sofrimento continuado que desgastam e corroem, de um modo implícito representa também a esperança num futuro onde se irá querer estar.. porque quando se aceita um fim, dá-se sentido ao renascer, ainda que tal não se sinta ou entenda nesse momento..

22 11 2008
mari

Seu blog é maravilhoso, uma deliciosa viagem.

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