Uma mão cheia de nada…

29 07 2008

Hoje – por várias razões, ou por nenhuma razão – decidi reflectir sobre esta frase que é, de alguma forma, bastante conhecida: “uma mão cheia de nada”. Ela significa, muitas vezes, a sensação com que ficamos, em determinados momentos das nossas vidas. Seres insignificantes perante a grandiosidade do universo. Seres quase sem valor por si só. Por outras palavras, valemos apenas aquilo que valemos para os outros. É esse o significado e o nosso valor. É o amor que sentimos e manifestamos, é a felicidade que gozamos e partilhamos com os outros. É esse o nosso real valor. O resto, claro está, é “uma mão cheia de nada”. Por vezes, precisamos de um “abanão” para despertar para isso. Algo  que nos faça reflectir sobre a vida e o rumo que lhe damos. Uma avaliação à nossa forma de ser, uma avaliação à nossa vida. Saber o valor que lhe damos. Eu amo demasiado a vida. Não é novidade – eu sei que não. Mas há momentos em que nos agarramos ainda mais a ela. Com unhas e dentes. Com esperança. Com um brilho nos olhos. Com um sorriso de um lado a outro, de orelha a orelha. Esta semana, e como dizia no início – por várias razões, ou por nenhuma razão – apeteceu-me reflectir sobre “uma mão cheia de nada”. Apenas para dizer que há, de facto, coisas de grande valor que os olhos não vêem, que as mãos não carregam. O amor, a amizade, a felicidade, são alguns dos exemplos dessas preciosidades que apenas o coração consegue ver, ouvir e sentir. É isso o que levamos, de facto, deste mundo. O resto, bom… o resto… é “uma mão cheia de nada”.

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Outra vez…

21 07 2008

 

Hoje ouvi vezes sem conta esta música de Maria Bethânia – http://br.youtube.com/watch?v=kJOjKuzP-5g – . É verdade que já conhecia, mas acho que nunca me deixei absorver tanto pela letra como desta vez. Por isso, partilho-a, aqui, neste pequeno espaço, onde deixo também a letra…

 

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi, dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar
De tudo outra vez….

Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi
O caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder

Você foi
Toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez





Um lugar… uma marca… uma história…

13 07 2008

Disseram-me que as veredas da Madeira deveriam servir de inspiração para contos, com tunéis de tempo, com duendes. Numa dessas veredas, sobranceira à Fajã da Ovelha, pude observar, há bem pouco tempo, e de um ângulo que eu não conhecia, esta construção, que várias vezes já me chamou à atenção. Não sei o que terá sido. Mas, só por si, bem poderia ser, agora, um palco para um desses contos. Quantas histórias não terão as paredes daquele prédio. Quantos suspiros de amor, quantos gritos de angústia, quantos gritos de desespero, ou até prazer… Agora, sem vida, parece triste, mas acredito que algo de bom se possa ter passado debaixo daquele tecto. Só assim compreendo este lugar, esta marca, esta história. E, como todas as histórias, podemos sempre recriá-la, ou, simplesmente, deixar que o tempo e a erosão… acabe com o que aquela casa representa, ou algum dia representou. Lágrimas, ou sorrisos, pouco importa. Vou deixá-la, ali, tranquila, onde sempre a encontro. Um dia – quem sabe? – escreverei sobre o que, de facto, se possa ali ter passado.